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COMO RECOLHER E ANALISAR OS DADOS NECESSÁRIOS
Antes de avaliar a cobertura, defina a faixa etária-alvo, a área geográfica, a categoria de desnutrição aguda (DAM ou DAG) e os critérios utilizados para identificar as crianças que devem receber tratamento. Assegure-se de que a definição utilizada para identificar os casos é compatível com os critérios do programa e documente claramente quaisquer diferenças.
A cobertura do tratamento direto pode ser avaliada utilizando o método « SQUEAC » (Avaliação semiquantitativa do acesso e da cobertura) ou o método « SLEAC » (Avaliação simplificada do acesso e da cobertura através de amostragem para garantia de qualidade por lote). O método « SQUEAC » combina dados de rotina do programa, investigação qualitativa e deteção de casos para estimar a cobertura, compreender as barreiras e os fatores favoráveis, e identificar ações para melhorar o acesso. O método « SLEAC » foi concebido principalmente para uma classificação ou estimativa mais rápida da cobertura em várias áreas de prestação de serviços. Selecione o método de acordo com o objetivo e a escala geográfica da avaliação, os recursos disponíveis e a especialização da equipa. Consulte as orientações detalhadas abaixo.
Siga os procedimentos de cálculo especificados pela metodologia escolhida em SQUEAC ou SLEAC . Ao comparar os resultados da cobertura ao longo do tempo ou entre áreas, certifique-se de que as avaliações utilizaram populações-alvo, critérios e abordagens de cálculo comparáveis. Indique também a área de avaliação, as datas, a faixa etária-alvo e os critérios utilizados para identificar as crianças que necessitam de tratamento.
Se uma avaliação direta da cobertura for não viável, siga as orientações nacionais aplicáveis ao utilizar dados de rastreio de rotina, encaminhamento, admissão ou outros dados do programa para estimar a cobertura. Identifique claramente esses resultados como estimativas indiretas e não não os apresente como metodologicamente equivalentes a uma avaliação direta SQUEAC/SLEAC .
DESAGREGADO POR
Estes dados podem ser desagregados por sexo, faixa etária, área geográfica e outros grupos relevantes. Apenas se devem apresentar estimativas de cobertura desagregadas nos casos em que o desenho da avaliação e o número de casos identificados permitam uma interpretação fiável.
COMENTÁRIOS IMPORTANTES
1) O documento «Esfera » de 2018 utiliza limiares de cobertura de >50% nas zonas rurais, >70% nas zonas urbanas e >90% nos campos de refugiados para os serviços de tratamento « DAM » e « DAG » no âmbito da resposta humanitária. Estes limiares devem não ser considerados como metas universais fora do contexto da resposta humanitária; devem ser utilizadas as metas nacionais aplicáveis e a cobertura deve ser interpretada de acordo com o contexto.
2) No que diz respeito a « desnutrição aguda moderada » (DAM), definir os critérios de tratamento e de elegibilidade relevantes de acordo com o protocolo nacional aplicável; não se deve não partir do princípio de que um Programa de Alimentação Complementar é o modelo de tratamento em todos os contextos.
3) Os dados programáticos devem ser analisados para identificar áreas com potencial de elevada e baixa cobertura. Em seguida, são recolhidos dados qualitativos para identificar fatores que favorecem e que impedem a cobertura, bem como para compreender melhor as razões pelas quais as crianças com desnutrição aguda estão a aceder (ou não) ao tratamento.
4) O tempo necessário depende da escala de avaliação, da acessibilidade, das deslocações, do pessoal disponível e da experiência da equipa. A título indicativo, uma avaliação completa ( SQUEAC ) demora cerca de 21 dias, enquanto uma avaliação de risco ( SLEAC ) demora cerca de 5 a 7 dias por distrito. Uma avaliação de acompanhamento ( SQUEAC ) pode demorar cerca de 7 a 10 dias. A avaliação de impacto ( SQUEAC ) fornece, geralmente, uma análise mais detalhada dos obstáculos e dos fatores favoráveis, enquanto a avaliação de impacto ambiental ( SLEAC ) se destina a uma classificação espacial ou estimativa mais rápida.
5) Se a equipa não tiver experiência prática com SQUEAC ou SLEAC, procure o apoio de um especialista experiente em avaliação de cobertura para a conceção da avaliação, formação, supervisão e garantia de qualidade.
Indicadores setoriais relevantes
Considere também utilizar os seguintes indicadores:
Cobertura do rastreio de « PB » (indica se o rastreio está a atingir a população infantil-alvo, um importante determinante a montante da cobertura do tratamento)
Eficácia dos encaminhamentos (mostra se as crianças identificadas e encaminhadas através do rastreio chegam efetivamente a receber tratamento)
Taxa de recuperação (cura) (complementa o alcance do tratamento com um indicador do resultado do tratamento)
Taxa de desistência (ajuda a identificar problemas de retenção que podem reduzir a eficácia do programa e que podem refletir barreiras ao acesso)
ACESSO A ORIENTAÇÃO ADICIONAL
- Fórum GCDA (2014) Avaliação da cobertura da GCDA (.pdf)
- FANTA (2012) SQUEAC /SLEAC Referência Técnica (.pdf)
- acção Contra a Fome – Avaliações da cobertura
- Esfera Manual (2018), Gestão da desnutrição – normas 2.1 e 2.2